Chegou ao fim a participação da Seleção Nacional de Portugal no Campeonato do Mundo
Terminamos esta caminhada sem o resultado final com que sonhámos, porque quem veste a camisola de Portugal entra sempre em campo para chegar o mais longe possível. Mas partimos com a consciência tranquila, com o coração cheio e com a certeza absoluta de que honrámos o nosso país, dignificámos esta camisola e deixámos tudo o que tínhamos dentro do campo.
9/6/20266 min ler


Chegou ao fim a participação da Seleção Nacional de Portugal no Campeonato do Mundo de Pickleball, no Vietname.
Terminamos esta caminhada sem o resultado final com que sonhámos, porque quem veste a camisola de Portugal entra sempre em campo para chegar o mais longe possível. Mas partimos com a consciência tranquila, com o coração cheio e com a certeza absoluta de que honrámos o nosso país, dignificámos esta camisola e deixámos tudo o que tínhamos dentro do campo.
Não guardámos nada. Lutámos por cada ponto, por cada jogo e, acima de tudo, uns pelos outros.
Começámos por conquistar o primeiro lugar de um grupo extremamente difícil e equilibrado, no qual enfrentámos duas seleções asiáticas de enorme qualidade: China e Indonésia. Foram jogos duríssimos, intensos e emocionalmente muito exigentes, disputados ponto a ponto, perante adversários fortíssimos e muito bem preparados.
Tivemos de sofrer, de manter a serenidade nos momentos mais difíceis e de acreditar até ao fim.
E acreditámos.
A equipa respondeu com coragem, competência e uma enorme capacidade de superação. Cada jogador assumiu a sua responsabilidade, colocou o coletivo acima de tudo e contribuiu para que Portugal terminasse esta fase no primeiro lugar do grupo.
Nos dezasseis avos de final, voltámos a demonstrar a nossa qualidade e conquistámos uma excelente vitória diante de uma fortíssima República Checa. Foi mais uma batalha e mais um momento em que esta equipa revelou a sua verdadeira identidade. Jogámos com determinação, inteligência e uma vontade imensa de continuar a escrever esta história.
Nos oitavos de final encontrámos o Japão. Nesse dia, temos de o reconhecer com humildade e desportivismo, a seleção japonesa esteve acima das nossas possibilidades e não esteve ao nosso alcance. Isso não significa, porém, que tenhamos desistido por um único instante. Lutámos até ao último ponto, apoiámo-nos sempre e saímos do campo de cabeça levantada.
Quando já não havia mais nada para dar, procurámos ainda dar um pouco mais.
O desporto também é isto: saber vencer, saber perder, reconhecer a qualidade do adversário e compreender que nem sempre o resultado consegue traduzir tudo aquilo que foi entregue. Saímos da competição, mas saímos inteiros, unidos e profundamente orgulhosos do caminho que percorremos.
Porque esta participação foi muito mais do que uma sucessão de jogos e resultados.
Esta é uma verdadeira equipa.
Uma equipa construída por pessoas competentes, responsáveis, generosas e profundamente exigentes consigo próprias. Pessoas que sabem que representar Portugal é um privilégio, mas também uma responsabilidade. Pessoas que lutam com um único propósito e que colocam o nome do país, a camisola e os companheiros acima de qualquer ambição individual.
Aqui ninguém esteve sozinho.
Nos momentos de alegria, celebrámos juntos. Nos momentos de maior tensão, protegemo-nos uns aos outros. Quando alguém precisou de força, encontrou-a no companheiro que estava ao lado. Quando as pernas pesaram, foi a voz da equipa que nos fez continuar. E quando chegou o momento mais difícil, permanecemos unidos.
É precisamente aí, muito para além das vitórias, das derrotas e das classificações, que se reconhece uma verdadeira equipa. E é assim que uma equipa se transforma numa família.
É um orgulho enorme fazer parte desta família e partilhar esta caminhada com atletas e pessoas de uma qualidade verdadeiramente extraordinária.
O Armando e a Joana foram exemplos permanentes de liderança e combatividade. Nos momentos decisivos, assumiram a responsabilidade, deram a cara e puxaram pela equipa. Lutaram por cada bola com uma entrega impressionante e transmitiram aos restantes a força, a confiança e a ambição necessárias para ultrapassar os momentos mais difíceis.
A liderança não se afirma apenas através das palavras. Afirma-se no exemplo, na coragem de assumir os momentos de maior pressão e na capacidade de continuar a lutar quando o corpo já pede para parar. O Armando e a Joana fizeram tudo isso. Foram líderes dentro e fora do campo, demonstrando uma enorme qualidade competitiva e um compromisso absoluto com Portugal e com os seus companheiros.
A Patrícia e a Carolina trouxeram à equipa a sobriedade, a segurança e a competência que caracterizam as grandes atletas. Sempre concentradas, responsáveis e disponíveis para responder às necessidades da equipa, deram-nos equilíbrio e confiança em momentos fundamentais.
A sua serenidade nunca significou falta de intensidade. Pelo contrário: foi a expressão de uma enorme maturidade competitiva. Souberam interpretar cada jogo, gerir a pressão e colocar toda a sua qualidade ao serviço do coletivo. Foram consistentes, competentes e absolutamente comprometidas do primeiro ao último ponto.
A Inês e o Martin representaram a juventude, a irreverência e a coragem de quem não teme nenhum adversário. Entraram em campo com energia, personalidade e vontade de desafiar os limites. Trouxeram frescura, entusiasmo e aquela dose de ousadia que tantas vezes faz a diferença nos grandes momentos.
Têm uma qualidade incrível e um futuro extraordinário pela frente, mas já são uma realidade do presente. Neste Campeonato do Mundo mostraram que têm talento, capacidade competitiva e personalidade para representar Portugal ao mais alto nível. Cresceram ao longo da competição e ajudaram também toda a equipa a crescer com eles.
Armando, Joana, Patrícia, Carolina, Inês e Martin: obrigado por cada ponto, por cada esforço, por cada palavra, por cada gesto e, sobretudo, pela forma exemplar como representaram Portugal.
Todos diferentes, todos especiais e todos com uma qualidade incrível. Foi precisamente a união dessas diferenças — a liderança, a combatividade, a serenidade, a competência, a juventude e a irreverência — que deu força e identidade a esta equipa.
E obrigado ao Alex, o único que não chegou a entrar em campo, mas que conseguiu, ainda assim, ser também um verdadeiro MVP. O Alex tem uma enorme qualidade como jogador e teria certamente muito para dar dentro do campo. Mas aquilo que fez fora dele diz muito sobre o atleta, o companheiro e a pessoa que é.
Esteve sempre presente, disponível e completamente envolvido. Apoiou, incentivou e viveu cada jogo e cada ponto ao lado dos companheiros. Uma equipa não é feita apenas por aqueles que entram em campo. É feita por todos os que colocam a sua energia, o seu coração e o seu compromisso ao serviço do grupo. E o Alex fez isso desde o primeiro ao último momento.
Uma palavra muito especial para o nosso capitão, Chris.
Mesmo não tendo podido estar fisicamente connosco no Vietname, esteve sempre presente. Foi uma presença constante, próxima e de grande importância para todos nós. A distância nunca o impediu de acompanhar a equipa, de estar disponível, de transmitir confiança e de nos fazer sentir o seu apoio.
Há lideranças que conseguem ultrapassar milhares de quilómetros. O Chris viveu connosco esta caminhada, partilhou as nossas alegrias e sofreu nos momentos mais difíceis. Sentimos sempre o seu conhecimento, a sua preocupação e, sobretudo, o seu compromisso com esta equipa.
Obrigado, Capitão.
Uma palavra igualmente sentida para o Michel e para a Steffi. Não estiveram fisicamente connosco no Vietname, mas pertencem a esta equipa, a este projeto e a esta família. A ausência nunca poderá apagar o seu contributo, diminuir a sua importância ou retirar-lhes o lugar que conquistaram entre nós.
Esta caminhada também é deles. Porque uma família não deixa de o ser quando alguns dos seus elementos estão longe. Continuamos a levá-los connosco, a representá-los e a senti-los como parte de tudo o que vivemos.
Este Campeonato do Mundo foi também uma demonstração extraordinária do crescimento do Pickleball. Encontrámos uma competição de enorme qualidade, grandes jogadores, seleções muito bem preparadas e um ambiente verdadeiramente entusiasmante.
Na Ásia, esse crescimento é particularmente impressionante. Sente-se a paixão pela modalidade, o entusiasmo do público, o investimento, a preparação e uma evolução técnica e competitiva extraordinária. China, Indonésia, Japão e tantas outras seleções mostraram que o nível está a subir a uma velocidade enorme. O Pickleball asiático já é uma realidade muito forte e será, seguramente, uma das grandes forças da modalidade nos próximos anos.
Assistir a esta evolução entusiasma-nos, mas também aumenta a nossa responsabilidade. Portugal tem talento, tem competência, tem vontade e tem pessoas capazes de fazer crescer o Pickleball . Precisamos de continuar a trabalhar, a aprender e a criar condições para que os nossos atletas possam competir cada vez mais e melhor com as grandes seleções mundiais.
Levo comigo muito mais do que resultados.
Levo todos os jogos, todos os pontos, todos os abraços, todas as conversas e todos os silêncios. Levo o esforço, o cansaço, a alegria, a frustração e a emoção de ver Portugal competir entre os melhores. Levo a imagem de um grupo que nunca virou a cara à luta e que soube representar o nosso país com coragem, respeito, dignidade e uma qualidade enorme.
Levo comigo as memórias de pessoas extraordinárias que deram tudo o que tinham por esta camisola e umas pelas outras.
Vou do Vietname de coração cheio, a rebentar de orgulho desta gente e mais motivado do que nunca para fazer acontecer.
Esta caminhada não termina aqui. Pelo contrário: este é apenas mais um capítulo da história que estamos a construir juntos.
Há muito trabalho pela frente, muitos sonhos por concretizar e muitas batalhas por disputar. Mas, depois de tudo o que vivi com esta equipa, regresso ainda mais convencido de que vale a pena lutar pelo pickleball português.
Vamos continuar.
Por esta equipa.
Por esta família.
Pelo pickleball português.
Por Portugal. 🇵🇹


